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Mais potência, mais pesquisas


03/09/07

Agência FAPESP – O Centro Nacional de Ressonância Magnética Nuclear Jiri Jonas (CNRMN), localizado no campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), passará a contar, a partir desta segunda-feira (3/9), com um reforço de peso.

Trata-se de um espectrômetro de ressonância magnética nuclear, inédito na América Latina, com 800 megahertz (MHz) de potência, que se soma a outros dois que estão no centro desde sua implantação, em novembro de 1997, com 400 MHz e 600 MHz de potência e que continuam em operação.

Os equipamentos são utilizados em pesquisas de novos medicamentos para doenças como Aids, câncer e mal de Alzheimer, a partir da determinação da forma espacial de estruturas atômicas de macromoléculas, especialmente proteínas antimicrobianas, antifúngicas e antiprotozoários.

“Esse novo equipamento vem trazer mais rapidez e precisão aos estudos realizados nos dez anos de história do centro, onde já passaram mais de 250 pesquisadores que publicaram cerca de 200 artigos em revistas científicas, nacionais e internacionais, com base nas diferentes linhas de pesquisas desenvolvidas nos outros dois equipamentos”, disse Jerson Lima Silva, diretor do CNRMN, à Agência FAPESP.

Segundo ele, a importância de se determinar a estrutura atômica das proteínas está no conhecimento de sua forma espacial, o que auxilia na identificação de sua função no organismo humano e nos tipos de interação que ela mantém com outras proteínas. Essa determinação permite que se desenvolvam novas drogas com melhores efeitos terapêuticos.

“Um exemplo conhecido na literatura científica está no tratamento da Aids, em que só foi possível detectar a protease do HIV depois que cientistas norte-americanos conseguiram identificar a estrutura de proteínas capazes de inibir a ação dessa enzima”, disse Silva – as proteases são enzimas que quebram ligações peptídicas entre os aminoácidos das proteínas. “Com isso desenharam-se moléculas que fazem parte do coquetel anti-Aids e têm como alvo a protease do HIV.”

O diferencial do novo espectrômetro de ressonância magnética nuclear é que ele funciona acoplado a uma criossonda, ou sonda criogênica, que contribui para a maior rapidez das análises. “Durante a determinação de qualquer dado experimental, ficávamos limitados à relação sinal-ruído dos outros equipamentos”, disse Silva, que também é professor titular do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ.

“A sonda criogênica é uma espécie de adaptador que contribui para a diminuição da temperatura de todo o sistema de análise das amostras, aumentando a qualidade do sinal”, explica. “Com isso, experimentos de determinação de estruturas de complexos protéicos que levavam três ou quatro dias para obter os resultados, serão realizados em algumas horas”, explicou Silva.

O equipamento, instalado em um novo prédio construído junto ao Centro de Ciências da Saúde na UFRJ, custou R$ 5 milhões e foi importado da Alemanha com recursos do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Os outros equipamentos, a manutenção e a construção das instalações físicas do CNRMN também contaram com apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da UFRJ.

Os pesquisadores do Brasil e do exterior interessados em utilizar os equipamentos devem submeter propostas de projetos de pesquisa à coordenação gestora do CNRMN. Além do lançamento do equipamento na segunda-feira (3/9), o Centro de Ciências da Saúde da UFRJ abrigará ainda, até o dia 5 de setembro, um evento que reúne conhecidos especialistas em ressonância magnética nuclear, como o ganhador do prêmio Nobel de Química em 2002, Kurt Wüthrich, pesquisador do Instituto de Pesquisas The Scripps, na Califórnia, e do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça.

Mais informações: http://www.imbebb.org.br
Créditos Agência FAPESP Por Thiago Romero http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?data[id_materia_boletim]=7689

Origem: Biologias
Fonte(Referências): Agência FAPESP

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