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60ª SBPC : Saúde quer investir em terapia celular


16/07/08

Márcia: Editais contemplam estudos e iniciativas focadas em terapia celular
Até o final do ano, serão abertos editais no valor de R$ 22 milhões para financiar estudos para uso e produção de células-tronco

CAMPINAS (SP) - Depois do embate na Justiça para o uso de células-tronco de embriões humanos em pesquisa, o governo brasileiro busca a competitividade científica na área. O Ministério da Saúde (MS) lançará, até o final de julho, a Rede Nacional de Terapia Celular (RNTC), que deverá reunir os melhores cientistas do tema. Serão divulgados, ainda em 2008, os dois primeiros editais da rede, com investimentos na ordem de R$ 22 milhões (veja quadro).

“Resolvemos investir pesadamente em pesquisa de terapia celular para criação de tecnologia brasileira”, ressalta a secretária de Ciência e Tecnologia e Insumos Estratégicos do MS, Márcia Motta. Ela adiantou as diretrizes da rede na tarde de segunda-feira, 14 de julho, durante a 60ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). O encontro segue até sexta-feira, 18 de julho, na Universidade de Campinas (Unicamp).

A expectativa com a RNTC é desenvolver alternativas para as doenças que mais atingem os brasileiros e com perspectiva de tratamento por meio de terapia celular. As cardiopatias, por exemplo, já estão na mira dos cientistas e as ações deverão ser intensificadas. Márcia explica que a aposta do MS é na independência do país em tecnologias que deverão ser usadas futuramente.

RECURSOS - Os investimentos na rede, a partir dos editais, serão divididos em verbas para pesquisas e para infra-estrutura de laboratórios. Serão priorizados estudos já na fase clínica, que hoje representam apenas 24% do total realizado na área. “Acreditamos que a terapia celular está dando resultados e precisamos dar uma resposta a sociedade”, destaca Márcia.

Mas a ousadia da proposta está mesmo na opção pelo uso apenas de células-tronco humanas, adultas ou embrionárias, e na decisão de produzi-las para terapia. “Essa é uma decisão política”, define a secretária. Ela ressalta que será feito um controle rigoroso pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O órgão já prepara um regulamento técnico para adequar centros de tecnologia celular, institutos de pesquisa e clínicas de fertilização.
Os ministérios da Saúde (MS) e de Ciência e Tecnologia (MCT) financiam 70% de todas as pesquisas brasileiras sobre células-tronco. Os investimentos chegaram a R$ 24,4 milhões. Um levantamento feito pelo MS apontou que 86,6% dos estudos são sobre células-tronco adultas e a maior parte, 47%, em nível básico. As pesquisas clínicas restringem-se a apenas 24% do total. No Brasil, são 93 pesquisadores que trabalham com terapia celular.

Textos: UnB Agência. Fotos: Rodrigo Dalcin/UnB Agência

Origem: Biologias
Fonte(Referências): http://www.secom.unb.br/unbagencia/unbagencia.php?id=412
Camila Rabelo

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