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Técnica impede crescimento de tumor


11/10/08

Divulgação
Uma esfera mil vezes menor que um milímetro, que leva dentro de si um medicamento e imãs, está no centro de pesquisas feitas na Universidade de Brasília (UnB) em Nanotecnologia com o objetivo de descobrir tratamentos mais eficazes contra o câncer.

O material foi administrado em camundongos portadores de células mamárias cancerígenas e impediu o aumento destas células doentes. “Observamos que não houve desenvolvimento da neoplasia, o que já é algo significativo”, afirma a bióloga Luzirlane dos Santos Barbosa Braun, autora de uma tese de doutorado sobre o assunto defendida na Faculdade de Medicina (FM).

Os camundongos receberam na cavidade abdominal células do tumor ascítico de Ehrlich, um tipo de câncer de mama próprio desses animais. Estes camundongos doentes foram tratados com material nanoestruturado constituído por nanoimãs e uma droga que é ativada na presença de luz. Esses produtos estavam encapsulados em vesículas de composição orgânica semelhante à de uma célula, conhecido como lipossoma, o que evita a rejeição pelo organismo e permite maior tempo de circulação no corpo.

Depois de 30 minutos, que o produto estava em contato com as células cancerígenas na cavidade abdominal, os animais foram submetidos a duas terapias: terapia fotodinâmica (TFD) e magnetohipertermia (MHT).

RADICAIS LIVRES - Para a realização da terapia fotodinâmica foi aplicado laser por 20 minutos sobre o abdômen de cada animal. A estratégia é relativamente simples: a luz incide sobre o local desejado, estimula a droga ativada pela luz induzindo a formação de radicais livres, moléculas danosas que, em quantidade exagerada, provoca a morte celular.

E para a realização da magnetohipertemia os mesmos camundongos foram submetidos a um campo magnético por 3 minutos no mesmo local. A MHT tem por finalidade causar a morte das células tumorais por meio do aumento localizado de temperatura.

A tática consiste em “chacoalhar” os nanoimãs com um campo magnético externo, de forma alternada. O procedimento aumenta a temperatura no local em até 8ºC e afeta especialmente a células doentes, que são mais frágeis e suscetíveis a esse tipo de alteração.

Segundo Luzirlane, este pode ser o início de uma nova estratégia de combate à doença, menos agressiva que a cirurgia, a quimio e a radioterapia. “Com certeza podemos achar a forma mais eficiente de tratar o câncer e de prolongar a vida dos pacientes, além de podermos associar estas terapias às já existentes”, afirma.

RESPOSTAS – Para os pesquisadores da área, o experimento ajudou a elucidar as dúvidas sobre essa nova forma de tratamento para neoplasias que se manifestam internamente, uma vez que em cânceres superficiais, como o de pele, já foi comprovada sua eficiência.

O Hospital Regional da Asa Norte (Hran), em Brasília, e o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo (USP), por exemplo, já utilizam o método e têm obtidos excelentes resultados na cura dos tumores de pele. Além disso, testes feitos em ratos com câncer de boca mostraram 90% de redução na extensão dos tumores.

Entretanto, segundo a bióloga, há certa dificuldade física em fazer com que o laser penetre na região doente quanto o tumor se encontra em regiões profundas do organismo, o que pode ser uma explicação para o tratamento não ter levado à eliminação do tumor, mas somente ter impedido o seu crescimento.

PERSPECTIVAS - Para a pesquisadora, que participa de um grupo de nanotecnologia na UnB, a esperança é de que nomes hoje pouco conhecidos, como terapia fotodinâmica e magnetohipertermia, se tornem mais populares à medida que demonstrem sua viabilidade e benefícios. Os cânceres são a segunda maior causa de morte no Brasil, atrás apenas dos problemas cardiovasculares. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), em 2008 eram previstos 466 mil novos casos.

Luzirlane dos Santos Barbosa Braun é doutora e mestre em Patologia Molecular pela Universidade de Brasília (UnB). Graduou-se em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

ORIENTAÇÃO

A tese Estudo dos processos de magnetohipertermia e terapiafotodinâmica mediados por magnetolipossomas fotossensibilizados em camundongos foi orientada pela professora do Instituto de Biologia (IB) da UnB Zulmira Lacava.

CONTATO
Luzirlane dos Santos Barbosa Braun pelos telefones 3307 2161 (Laboratório de Genética da UnB). E-mail lbarbosa[@]unb.br

Confira o infográfico a seguir.
Infográfico: Marcelo Jatobá /UnB Agência
Créditos http://www.secom.unb.br/bcopauta/saude77.htm

Origem: Biologias
Fonte(Referências): UnB Agência
FABIANA VASCONCELOS Da Secretaria de Comunicação da UnB

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