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Unicamp - Degradação de restinga é tema de pesquisa no IB

14/03/09

Na tentativa de preservar uma das últimas áreas de restinga da Bahia, a bióloga Clara Sampaio Dias de Souza fez um levantamento da riqueza das espécies de plantas aquáticas e palustres – áreas que ficam alagadas no período chuvoso – existentes no local e disponibilizou-o em chave interativa pela Internet (http://www.ib.unicamp.br/plantkeys). A restinga, objeto de estudo da bióloga, está localizada no Sul do Estado da Bahia, no município de Maraú, próximo a Itacaré, pólo turístico da região. Restingas são ecossistemas com diferentes estratos vegetacionais (arbóreo, arbustivo e herbáceo), que fazem parte do bioma Mata Atlântica. Lá, segundo Clara, “a melhoria das condições de acesso tem despertado a preocupação, uma vez que a urbanização pode gerar impactos ambientais desastrosos”, destaca.

A bióloga foi orientada pela professora Maria do Carmo E. Amaral e alega que, no intuito de melhorar as condições de vida das famílias moradoras do município, o governo promove a urbanização local, o que no futuro pode acarretar a degradação do ambiente, já que seria mais fácil o acesso à área e o consequente estabelecimento de novos moradores.

Pelo estudo, desenvolvido no Instituto de Biologia (IB), as plantas existentes nas áreas palustres são muito importantes para a manutenção do ambiente e a continuidade do ciclo da água. Por serem áreas abertas, sem árvores e com apenas alguns arbustos, as áreas palustres são procuradas inicialmente para construções.

“Aos olhos da população que chega ao lugar, muitas espécies podem parecer vegetação descartável ou mato, mas não é assim. Existem plantas fundamentais que evitam a subida das águas em níveis maiores”, explica. Além disso, revela, espécies de orquídeas e bromélias podem ser encontradas na Restinga de Maraú.

A baixa densidade populacional também é uma característica que deveria ser preservada. Segundo Clara, a região é turística e isto gera, entre outras situações, um aumento da população no verão. “A população pode dobrar em determinadas épocas, principalmente pela localização próxima a Itacaré e Ilhéus”, destaca.

Clara lembra que muito deste tipo de vegetação já foi perdida pela degradação. Em sua opinião, no Nordeste do país esse cenário é ainda pior onde não há áreas de preservação que compreendam restingas em suas delimitações. As coletas do estudo foram realizadas entre 2006 e 2008. Foram identificadas 86 espécies, sendo que a família Cyperaceae, cujas plantas são muito semelhante às gramíneas, representou 19 espécies em 11 gêneros.



Fonte: http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/marco2009/ju421_pag08a.php#

Autor(a)/Créditos: RAQUEL DO CARMO SANTOS

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