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Células-tronco para doenças renais


04/09/09

Agência FAPESP – O tratamento atual das doenças renais crônicas se resume à terapia de hemodiálise ou ao transplante. Mas, de acordo com estudos apresentados durante a 24ª Reunião Anual da Federação das Sociedades de Biologia Experimental (Fesbe), realizada em Águas de Lindoia (SP) no mês passado, portadores de insuficiência renal poderão, no futuro próximo, contar com alternativas mais simples e eficazes no combate à doença.

No simpósio em que se discutiu o uso de células-tronco para o tratamento de portadores de doença renal crônica, os trabalhos projetaram possibilidades concretas, como o estudo coordenado pela nefrologista Lúcia Andrade, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Após introduzir células-tronco retiradas da medula óssea de ratos saudáveis em outros com insuficiência renal, a técnica gerou uma reversão do quadro da doença. Os resultados sugerem que as células-tronco, provenientes de animais adultos, são capazes de prevenir e até mesmo de regenerar a função e o tecido renal. Se resultados similares fossem obtidos em humanos, o método poderia, por exemplo, dispensar a diálise.

“O que fizemos até o momento é tudo experimental, em modelo de doença renal crônica em ratos. Agora, estamos propondo começar a fazer estudos terapêuticos com cães”, disse Lúcia à Agência FAPESP. O estudo tem apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.

O grupo utilizou roedores que passaram por cirurgias para simular a doença. Na simulação, os animais ficaram com apenas 20% da função renal. Foram aplicadas duas estratégias diferentes de tratamento. Duas semanas depois da cirurgia, um grupo de ratos recebeu uma injeção com 2 milhões de células-tronco na corrente sanguínea e outro recebeu três aplicações.

No quarto mês após o início do experimento, os dois grupos de ratos tiveram recuperação da função renal, conseguindo 50% de filtração. Segundo Lúcia, em humanos 20% da função renal implica a necessidade de se fazer diálise. “Já com 50% é possível levar uma vida normal, com dieta e acompanhamento médico.”

“O modelo que utilizamos é semelhante ao que ocorre em seres humanos. Os resultados apontam que a doença não só parou de progredir como as funções renais foram recuperadas em parte. Isso é algo bastante entusiasmante”, disse. O estudo foi publicado na revista Stem Cells.

Os testes feitos inicialmente com ratos serão conduzidos com cães com insuficiência renal. De acordo com a coordenadora da pesquisa, em reunião com veterinários foi descartada a possibilidade de se fazer o estudo com gatos.

“Nos gatos, a progressão da doença é muito lenta. E como queremos resultados mais rápidos optamos por realizar testes em cães porque, com uma única dose, a evolução da doença renal crônica é mais rápida e o resultado mais satisfatório”, disse.

Segundo ela, é necessário entender melhor o mecanismo, uma vez que as células injetadas podem migrar para tecidos não desejados. “Para a área de nefrologia, é arriscado estabelecer uma previsão a médio prazo. Em outras áreas, como a cardiologia, há um avanço, uma vez que os testes são feitos com humanos”, contou.

A pesquisadora destaca que não existe ainda uma explicação para a melhora da função renal a partir da aplicação de células-tronco. Uma possível resposta seria que elas migrariam para o tecido lesionado e liberariam tanto substâncias inibidoras dos agentes inflamatórios que causam a insuficiência renal como elementos que induzem a regeneração das células do rim.

“Mas acreditamos, a partir de nossos estudos, que o mecanismo de ação das células-tronco seja mais imunológico que regenerativo”, disse.

Outras frentes

Pesquisas de destaque na área também têm sido conduzidas pelos grupos liderados por Nestor Schor, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e por Niels Olsen Saraiva, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, que coordenaram a mesa sobre células-tronco e doença renal na Fesbe.

Schor, que coordena o Projeto Temático “Mecanismos moleculares, celulares e fisiopatologia da insuficiência renal aguda”, apoiado pela FAPESP, abordou no encontro o impacto das células-tronco na insuficiência renal.

O objetivo é tentar entender a fisiopatologia, ou seja, qual a contribuição das células-tronco, como controlá-las e quais as melhores células a serem utilizadas – se as da medula óssea, embrionárias ou do tecido adiposo –, entre outras questões.

Niels falou sobre o uso de um tipo de células-tronco, as mesenquimais, que são capazes de atenuar o processo inflamatório em doenças renais agudas e crônicas. Em doença renal aguda isquêmica, a inflamação é um componente chave.

“Qualquer terapia que possa amenizar a resposta inflamatória e, ao mesmo tempo, reparar precocemente o tecido, será benéfica para um tratamento futuro em pacientes com insuficiência renal”, disse.

O estudo – cujos resultados correspondem a duas teses de doutorado orientadas por Niels, concluídas este ano com o apoio da FAPESP – indicou que as células mesenquimais, derivadas de medula óssea ou gordura periférica, foram capazes de reverter a inflamação.

“Demonstramos que essas células, derivadas de medula óssea ou de gordura, são capazes de reverter o processo inflamatório desencadeado pela isquemia, diminuindo moléculas que têm ação mais inflamatória e aumentando outras com capacidade de proteger o tecido agredido. A diminuição desse processo inflamatório se traduz em menor cicatriz no órgão a longo prazo”, explicou.

Outro lado da pesquisa, salientado pelo professor da USP, é demonstrar que células-tronco derivadas de tecidos como o cerebral (neuroesferas) são também capazes de atenuar a inflamação renal por meio da secreção de fatores solúveis que agem em outras células.

“Mesmo a distância, uma célula com potencial de ‘ser tronco’, independentemente da origem, tem esta capacidade de diminuir a inflamação e aumentar as chances do tecido (do rim) se regenerar mais rapidamente”, disse.

Resultados dos trabalhos coordenados por Niels foram publicados nas revistas Stem Cells, International Imunopharmacology e Nephron Experimental Nephrology.

O professor do Instituto de Ciências Biomédicas da USP colaborará com o projeto de pesquisa em que células-tronco serão testadas em cães, em parceria com o grupo de Lúcia Andrade na Faculdade de Medicina.

Origem: Biologias
Fonte(Referências): http://www.agencia.fapesp.br/materia/11020/especiais/celulas-tronco-para-doencas-renais.htm
Agência FAPESP, Por Alex Sander Alcântara

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Comentários

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raquel mendes

tenho muita esperança na pesquesa com células-tronco e fico muito feliz em saber que pessoas com insuficiência renal cronica terá uma vida normal.Meu pai é renal cronico e gostaria de saber como inscre-lo para os testes de células-tronco.

www.raquelmsv<@>uai.com.br 20/05/11 ás 20:15

Camillo Durval Berti

Considero essencial envolver a Sociedade Brasileira em extensa campanha nacional pró pesquisas com células tronco, em busca de apoio e investimentos maciços na área, para que avancemos com segurança e celeridade, evitando penosos tratamentos e de elevado custo ao País. É o que procuro fazer através dos meios de comunicação. A valorização e apoio aos Pesquisadores acarretarão benefícios inestimáveis ao Brasil. Grato pela atenção. Camillo Durval Berti, 69 anos, Advogado, renal crônico em HD há 4 anos.

camilloberti<@>yahoo.com.br 24/02/11 ás 22:00

JOÃO CARLOS POMPONI

Faço hemodiálise há 03 anos e fiquei esperançoso com os relato acima descritos. Coloco-me com vonluntário para teste , quando surgir a oportunidade. Minha insuficiência renal cronica foi ocasionada por rins policísiticos.

pomponni<@>hotmail.com 15/04/10 ás 18:48

Marcel Shinyashiki

Por favor, também achei muito interessante essa pesquisa com os ratos e gostaria de saber se seria possível inscrever meu gato para realização de testes com células-tronco para o tratamento de insuficiência renal.

marcelshi<@>yahoo.com 27/03/10 ás 11:19

vanderley leite

Estou com muita esperança na celula tronco, se precisar de voluntarios eu estou a disposição. Dra. Lucia acho que já me conhece. Sou paciente do Dr Medinna.

vanderleyleite<@>msn.com 22/11/09 ás 02:40

Rose Lourdes Marchini dos Sant

Sou descendente de uma família com vários casos de IRC de causa desconhecida. Atualmente várias pessoas, inclusive eu, estão com o percentual de funcionamento dos rins dimunída em até 50%. Recentemente tivemos um possível diagnóstico de origem GENÉTICA de "doença renal cística medular". Estive lendo nas páginas de medicina veterinária relatos de IRC por esta doença em GATOS PERSAS que podem ser útil no avanço das pesquisas. Agradeço e coloco-me a disposição, na condição de paciente, para colaborar com os pesquisadores. Att.

Roselourdes<@>uol.com.br 27/10/09 ás 00:59

Maria Lúcia F. de Moura

Maria Lúcia Fiquei tão intusiasmada, tão esperançosa quando li essa pesquisa. Tenho IRC faço Diálise há 7 anos, não preciso descrever quão penoso e cansativo é esse tratamento. Por favor mande notícias sobre avanços e quando será possível experimentar em humanos, gostaria de fazer parte desta pesquisa não só por mim. Agradeço desde já e aguardo resposta.

pazm<@>oi.com.br 10/10/09 ás 23:02

Juliana

Achei muito interessante a pesquisa, e gostaria de saber se há a possibilidade de inscrever meu gato para a realização dos testes com células-tronco para insuficiência renal.

01/10/09 ás 12:04

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