Cola utilizada para impermeabilizar lajes da instituição prende aves. Animais se debateram até a morte. Um pica-pau foi salvo
A cola utilizada para impermeabilizar prédios da Universidade de Brasília causou morte de pássaros. Na manhã da quinta-feira, 1° de outubro, sete animais foram encontrados sobre as lajes do Restaurante Universitário (RU). Os animais ficaram presos na cola e se debateram até morrer. Um pica-pau teve sorte: foi encontrado a tempo quando se debatia sobre a caixa d'água do RU.
Filadélfio Felino Pedrosa, 59 anos, mecânico da área da manutenção, trabalhava na base do prédio quando avistou o pica-pau e subiu para ajudá-lo. Ao chegar na laje encontrou, além do pica-pau, outras sete aves já mortas. Segundo ele, a cola tem muita liga. “Ela é passada uma vez por ano para evitar infiltrações provocadas pelas chuvas e não seca. A liga faz com que os animais fiquem presos e alguns morrem”, conta Pedrosa.
Junto com Pedrosa, um grupo de funcionários livrou o pica-pau da cola química utilizando thinner – um solvente para limpar pincéis – e pediram orientação da professora Luci Murata, zootecnista do Departamento de Veterinária e da aluna Patrícia Coutinho Aguiar, que trataram de encaminhar a ave à Fundação Zoológico de Brasília, onde permanecerá até ter condições de ser libertado.
Para Pedrosa, é difícil adotar medidas para se evitar as mortes desses animais, pois os prédios precisam ser impermeabilizados. “De qualquer modo serão colocados papelões sobre os locais com a cola para evitar que outros animais fiquem presos”, esclarece.
ANIMAIS SILVESTRES – Assim como as aves, os saruês e outros animais que circulam pelo campus também são vítimas da estrutura dos prédios. Segundo Erci Lázaro dos Santos, que trabalha há 16 anos na instituição, é comum encontrar os bichos presos nas cercas ou encurralados nos tubos de energia e de escoamento de água.
A professora Luci esclarece que há ainda muitas dúvidas quanto ao tratamento de animais silvestres em situação de risco. “As pessoas nem sempre sabem como agir neste tipo de situação nem nos casos de crime ambiental. Na dúvida, a orientação é a se telefonar para o 190, e seguir as orientações do Corpo de Bombeiros”, explica.
Fonte: UnB Agência - http://www.unb.br/noticias/unbagencia/unbagencia.php?id=2414
Créditos: Daiane Souza - Da Secretaria de Comunicação da UnB
(Origem: Biologias)